Clube de Detectives

Torneio "CLUBE DE DETECTIVES", todos os dias 13 de cada mês. (clubededetectives@gmail.com) Visite ainda: www.danielfalcao.net.

domingo

'06 Dezembro 17

Terminou o Torneio "Clube de Detectives"... mas, os enigmas policiários continuam em http://www.danielfalcao.net.
No próximo dia 8 de Janeiro inicia-se o Torneio "Sete de Espadas" - homenagem ao decano do policiarismo em Portugal. Concorram! Está tudo (e muito mais!) em http://www.danielfalcao.net.
Clube de Detectives

quarta-feira

'06 Dezembro 13

CLASSIFICAÇÃO FINAL

1º Agente Guima (50 pontos) – Troféu “Público-Policiário”
2º Zé D’ Olhão (50 pontos) – Troféu “Dic Roland”
3º Carlos Estegano e Professor Pardal (50 pontos) – Troféu “Clube de Detectives”
5º Medvet e Mister H (49 pontos)
7º Sherlock C, Zé dos Anzóis e Zé-Viseu (45 pontos)
10º Inspector PI e Karl Marques (40 pontos)
12º Bernie Leceiro (39 pontos)
13º Detective Lupa de Pedra, Dr. Gismondo e Paulo (35 pontos)
16º Duca Holmes, Figaleira e Hnrqx (30 pontos)
19º Rumpelstinskin (25 pontos)
20º Avlis e Snitram (20 pontos)
21º Jotabê e KO (15 pontos)
23º Eugénio C, M. Lima e Saquim (10 pontos)

Mister H e Sherlock C receberão o Troféu “Sete de Espadas” (melhor classificados nascidos depois de 1975).

Os troféus “Dic Roland” e “Clube de Detectives”, não havendo concorrentes nas faixas etárias em que deviam ser atribuídos, foram entregues ao 2º e aos 3º classificados, respectivamente.

Os prémios serão entregues durante o Convívio Policiário do Norte, a realizar em data a definir no mês de Abril de 2007.

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EPISÓDIO 5

SOLUÇÃO
“Quer isso dizer que conseguiram entender como foi decifrada a mensagem?”, questionou Juliana.
O Hugo olhou para a Bruna, a Bruna sorriu e respondeu: “Sim!”
“E…”, titubeou a Juliana, arregalando os olhos.
“Podes explicar-lhe tu”, incentivou o Hugo, dirigindo-se a Bruna.
“Muito bem! Numa situação destas, há logo a inclinação para substituirmos os números por letras. O que foi de imediato rejeitado, porque aparecem valores na casa das três dezenas e porque aparecem letras misturadas com os números. Verificamos, então, que as letras que aparecem misturadas com os números, o ‘H’ e o ‘V’, não aparecem na frase textual da segunda linha. Foi, nessa altura, que nos chamou a atenção o ‘Conta as letras’. Começamos a contar as letras da frase textual: 1, 2, 3, etc.; e, ao colocarmos estes números sob as letras, deparamos com o seguinte:
“Reparamos que havia letras repetidas com números diferentes, por exemplo o ‘O’ estava na posição 3, 7, 10, etc.; o que nos pareceu estranho. Mesmo assim, substituímos os números pelas letras, na primeira e na terceira linha, e encontramos o seguinte:

“Percebemos então como a mensagem fora decifrada e também que o ’15’ entre parêntesis, à frente de GCT, não devia ser substituído. Pelo que o resultado é este:

LA CHIAVE
Dio bisogno e IO fare lo. Suo augurio ÿ mio comando
GCT (15) NY MARIUS FERRIS
“Satisfeita!?...”, perguntou a Bruna à Juliana.
“Realmente, não era nada complicado…”
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RESULTADOS
Com 10 pontos: Agente Guima, Bernie Leceiro, Carlos Estegano, Dr. Gismondo, Inspector PI, Medvet, Professor Pardal, Sherlock C, Zé D’ Olhão, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
Com 9 pontos: Mister H.

segunda-feira

'06 Dezembro 11

EPISÓDIO 4
É claro que a felicidade que se podia detectar no nosso rosto, não derivava do facto de termos descoberto o pequeno ‘criminoso’. Claro que não! O que nos satisfazia naquele momento era a oportunidade de termos resolvido este caso com tal rapidez, que íamos ter, finalmente, algum tempo só para nós.
Disse, então, o Hugo: “A situação que nos descreveu resolve-se muito facilmente. Como não conhecemos a sua casa, imaginamos que as seguintes situações não devem estar longe da realidade. O quarto do Filipe deve ser próximo do local onde foi partido o vaso. Caso ele estivesse com a janela aberta, poderia ter escutado o ruído resultante da queda do vaso. Por outro lado, caso a sua casa possua um jardim que a rodeia, pelo menos parcialmente, é aceitável considerar que o Carlos brincasse num local em que não fosse visível a queda do vaso. Acresce ainda o facto de o seu filho mais novo não dizer que escutou o ruído da queda. É claro que, mais tarde, o Carlos deve ter achado irresistível deixar uma pegada do seu pé descalço naquela terra apetecível.”
“Está a querer dizer-me que o malandro que partiu o vaso foi o Rui”, adiantou-se o empregado do bar.
“Deixe-me continuar! É possível que a garagem onde estava o Rui também fique num local próximo, sendo possível escutar o ruído da queda do vaso…”
“Mas, então…”, tartamudeou o empregado do bar.
“Todavia, seria completamente impossível o Rui estar a ler um livro de banda desenhada e, após voltar a folha, passar para a página 17. Como é sabido, voltando-se a folha de um livro, deparamos sempre com uma página par, pois a numeração inicia-se sempre do lado direito.”
“Tem razão”, disse o empregado do bar, enquanto folheava o livro que ia lendo nos períodos em que não tinha clientes.
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RESULTADOS
Com 10 pontos: Agente Guima, Carlos Estegano, Duca Holmes, Karl Marques, Medvet, Mister H, Paulo, Professor Pardal, Sherlock C, Zé D’ Olhão, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
Com 9 pontos: Bernie Leceiro.
Com 5 pontos: Detective Lupa de Pedra, Dr. Gismondo, Hnrqx, Inspector PI.
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CLASSIFICAÇÃO GERAL
(após 4 episódios)
1º (40 pontos) Agente Guima, Carlos Estegano, Karl Marques, Mister H, Professor Pardal, Zé D’ Olhão.
7º (39 pontos) Medvet.
8º (35 pontos) Detective Lupa de Pedra, Paulo, Sherlock C, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
13º (30 pontos) Duca Holmes, Figaleira, Hnrqx, Inspector PI.
17º (29 pontos) Bernie Leceiro.
18º (25 pontos) Dr. Gismondo, Rumpelstinskin.
20º (20 pontos) Avlis e Snitram.
21º (15 pontos) Jotabê, KO.
23º (10 pontos) Eugénio C, M. Lima, Saquim.
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COMENTÁRIO
Estamos a dois dias de conhecer o vencedor do Torneio "Clube de Detectives". São seis, os concorrentes melhor colocados para atingir o topo da classificação: Agente Guima, Carlos Estegano, Karl Marques, Mister H, Professor Pardal, Zé D’ Olhão. Aguardando, ainda, um eventual desaire conjunto no último episódio está Medvet, logo seguida de Detective Lupa de Pedra, Paulo, Sherlock C, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
Reencontramo-mos no próximo dia 13
Clube de Detectives

quinta-feira

'06 Dezembro 7

A solução e os resultados do Episódio nº 4, assim como a classificação geral no final dos quatro episódios, deveria ter sido divulgada ontem, mas atendendo à existência de alguns concorrentes "atrasados" que poderão querer entregar as suas soluções no próximo Convívio Policiário de Coimbra (domingo, dia 10 de Dezembro), os concorrentes vão sofrer um pouco mais e aguardar mais cinco dias.
Por isso, a última oportunidade para entregar as soluções para as duas últimas provas ocorrerá no próximo domingo em Coimbra.
O Torneio "Clube de Detectives" já entrou na sua recta final. A sua conclusão ocorrerá exactamente dentro de poucos dias, no dia 13 de Dezembro. Existem, para atribuir aos concorrentes, quatro troféus:
- Troféu "PÚBLICO-Policiário", para o vencedor na classificação geral;
- Troféu "SETE DE ESPADAS", para o melhor classificado nascido depois de 1975;
- Troféu "DIC ROLAND", para o melhor classificado nascido antes de 1940;
- Troféu "CLUBE DE DETECTIVES", para o melhor classificado nascido depois de 1986 e que concorra pela primeira vez a um torneio policiário.
Não havendo concorrentes que se enquadrem nos grupos etários atrás especificados, a distribuição dos troféus será obviamente re-orientada. Todos os troféus serão, no final, entregues aos concorrentes do Torneio "Clube de Detectives".
Queremos aproveitar para, neste espaço, destacarmos o confrade Bernie Leceiro, por ter sido o primeiro concorrente a concluir a sua participação no Torneio "Clube de Detectives".
Clube de Detectives


segunda-feira

'06 Novembro 13

TORNEIO "CLUBE DE DETECTIVES"
EPISÓDIO 5
O Enigma do Último Papa
(Daniel Falcão)
Quatro meses! Quatro meses se passaram, desde aquela tarde de sábado em que muita coisa mudou na vida de dois jovens: Hugo e Bruna, são os seus nomes. Aquilo que poderia ter sido, simplesmente, uma tarde passada com os amigos e as amigas, respectivamente, assistindo a uma interessante palestra na Quinta da Caverneira: “O detective que há em cada um de nós”, era o seu tema; transformou-se numa relação muito especial e, quem sabe, talvez duradoura.
A expressão “amor à primeira vista”, é uma expressão bem conhecida e muitas vezes utilizada para referir o início, relampejante, de uma nova relação amorosa. Mas, desta vez, não foi isso que aconteceu. Foi algo também muito diferente e que ousamos identificar como “amizade à primeira vista”.
Pois foi! Aquela tarde proporcionou aos dois jovens o ponto de partida para uma amizade especial.
Mas não só! Foi também a possibilidade de ambos, em conjunto, exporem aos amigos e conhecidos, dotes que ninguém sabia existirem. Possivelmente, nem eles próprios.
Depois daquele tarde, os enigmas por eles decifrados sucederam-se de uma forma alucinante. Alguns deles inventados pelos amigos, com o intuito de porem à prova as capacidades detectivescas do par. Outros, originados por situações reais. Em todos eles, com maior ou menor dificuldade, lá se foram desenvencilhando e esclarecendo os intervenientes.
“A dupla de jovens detectives” – era desta forma, carinhosa, que o par passou a ser designado pelos mais próximos.
Passaram os meses de Verão, entramos no Outono!
Encontramos o Hugo e a Bruna, tal como aconteceu em muitas outras ocasiões, sentados a uma das mesas do bar da Quinta da Caverneira. Ponto de encontro habitual. Ponto de partida para a apresentação e resolução de muitos enigmas. Conversam, enquanto lá fora a chuva cai copiosamente. Estes dias de Outubro têm sido excessivamente chuvosos. Demasiadas inundações têm afectado demasiadas pessoas por esse Portugal fora. O Inverno parece ter chegado cedo!
A porta do bar abre-se e os dois amigos observam a entrada de Juliana. Embora ela esteja de costas, procurando fechar o guarda-chuva, tarefa que o vento que se faz sentir vai dificultando, eles reconhecem-na facilmente. Já depois de ter pousado o guarda-chuva, Hugo e Bruna respondem ao “Olá!” da amiga precisamente com a mesma expressão, enquanto ela se aproxima deles e, por fim, se senta à mesma mesa, numa das cadeiras disponíveis.
“Que dia!” – começa ela por dizer. “Não me apetecia mesmo nada sair hoje de casa! Teria sido essa a minha opção, não fosse o enigma que trago, para mais uma vez vos pôr à prova” – concluiu.
Hugo e Bruno entreolharam-se e, sorrindo, exclamaram ao mesmo tempo: “Conta lá!”
“Bem, aqui vai! No entanto, devo chamar-vos a atenção para o facto deste enigma ser um tanto ou quanto estranho. Ainda assim, quero ver do que é que vocês são capazes”, calou-se, durante alguns segundos, e como Hugo e Bruna nada disseram, continuou: “Tenho a certeza que já ouviram falar do romance ‘O Último Papa’, escrito por Luís Miguel Rocha, o ‘Dan Brown’ português, como alguns o apelidaram. Se bem que, para mim, esta designação me pareça absolutamente desajustada. Mas, eles lá sabem!…”
Como Hugo e Bruno nada acrescentaram, apenas anuíram com a cabeça, ela continuou: “Esta manhã concluí a minha leitura e fiquei sem perceber como é que eles conseguiram decifrar a mensagem que lá aparece, para que os bons pudessem, como sempre, vencer os maus. A única pista que possuo é uma afirmação de uma personagem que, pelo que tudo indica, deve ter decifrado a mensagem. Essa personagem disse o seguinte: ‘Conta as letras’. Será que me conseguem explicar como é que a mensagem foi decifrada?”
Concluída a pergunta estendeu-lhes uma folha contendo o seguinte:

18, 15 – 34, H, 2, 23, V, 11
Dio bisogno e IO fare lo. Suo augurio ÿ mio comando
GCT (15) – 9, 30 – 31, 15, 16, 2, 21, 6 – 14, 11, 16, 16, 2, 20

Foi a Bruna que, estendendo o braço, pegou na folha. Todavia, foi o Hugo que tomou a palavra: “Curioso! Era precisamente sobre esse assunto que estávamos a conversar quando vieste ter connosco.”

DESAFIO AO LEITOR:
Será que o leitor está em condições de nos dizer a que conclusões teriam chegado o Hugo e a Bruna sobre a decifração da mensagem?
Analise atentamente o texto do problema, redija a sua proposta de decifração, justificando-a convenientemente (não utilizando mais de 5000 caracteres), e envie-a, até ao dia 8 de Dezembro, para clubededetectives@gmail.com.
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EPISÓDIO 3
SOLUÇÃO:
Quando chegamos ao bar, lá estava a dona Palmeirinha em amena conversa com o senhor a quem indicáramos o bar da Quinta da Caverneira. Apercebemo-nos que o negócio estava praticamente fechado e que se aprontavam para sair.
Todavia, assim que a senhora nos viu, dirigiu-se imediatamente na nossa direcção, perguntando: “Então, que tal correu a vossa investigação? Descobriram quem fez desaparecer as minhas placas?”
Olhamos um para o outro, procurando decidir quem responderia às questões formuladas. Um aceno assertivo da minha cabeça foi recebido pela Bruna como o sinal para ser ela a expor o resultado da nossa investigação: “Correu muito bem! E, por acaso, conseguimos descobrir o raptor, ou talvez devesse dizer a raptora, das placas.”
“A sério? Fantástico! Como conseguiram?” – voltou a perguntou, de imediato, a senhora.
“Acho que tivemos sorte. Chegamos a tempo de encontrar o culpado ainda com a boca na botija, como se costuma dizer. A senhora da moradia ao lado não devia estar muito interessada em ter novos vizinhos e, por isso mesmo, era ela que tirava as placas de madeira. Estas placas eram depois queimadas no seu fogão de sala. Achamos muito estranho que, num dia de calor como este, a senhora tivesse o seu fogão de sala aceso. Tive a oportunidade de olhar para dentro da casa e ver ainda algumas brasas a crepitar com intensidade” – concluiu a Bruna.
“Eu bem que desconfiava! Sempre que lá ia colocar uma nova placa, lá estava a ela a espreitar por trás das cortinas…”
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RESULTADOS:
Com 10 pontos: Agente Guima, Bernie Leceiro, Carlos Estegano, Detective Lupa de Pedra, Dr. Gismondo, Eugénio C, Figaleira, Hnrqx, Inspector PI, Karl Marques, Mister H, Paulo, Professor Pardal, Sherlock C, Zé D’ Olhão, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
Com 9 pontos: Medvet.
Com 5 pontos: Duca Holmes, Rumpelstinskin.
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CLASSIFICAÇÃO GERAL
(após 3 episódios)
1º (30 pontos) Agente Guima, Carlos Estegano, Detective Lupa de Pedra, Figaleira, Karl Marques, Mister H, Professor Pardal, Zé D’ Olhão.
9º (29 pontos) Medvet.
10º (25 pontos) Hnrqx, Inspector PI, Paulo, Rumpelstinskin, Sherlock C, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
17º (20 pontos) Avlis e Snitram, Bernie Leceiro, Dr. Gismondo, Duca Holmes.
21º (15 pontos) Jotabê, KO.
23º (10 pontos) Eugénio C, M. Lima, Saquim.
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sexta-feira

'06 Outubro 13

TORNEIO "CLUBE DE DETECTIVES"
EPISÓDIO 4

O Enigma do Vaso Partido
(Daniel Falcão)
Aquele copo de limonada, bem fresquinho, estava delicioso. O passeio que fôramos dar, até à Rua do Castelo Velho, com o intuito de ajudarmos a senhora Palmeirinha a descobrir a razão que estava na origem do desaparecimento das placas, bem como o autor do mesmo, deixara-nos com a garganta seca. Mas valeu a pena, porque desvendamos mais um caso e recebemos como “pagamento” os copos de limonada que estávamos a sorver avidamente.
Mas que dia este! Estava a ser um sábado pleno de emoções. Tudo começara com o que poderia ter sido apenas uma simples presença numa palestra. Mas o destino decidira presentear-me com algo mais.
Primeiro, aquela troca de olhares, entre mim e o Hugo. Depois, aquela minha decisão (que julgava ter sido irreflectida, mas afinal fora decisiva) de responder ao enigma proposto. Nesse momento, não me passou pela cabeça que, minutos depois, seria a vez do Hugo mostrar o seu gosto pelos mistérios.
Já tínhamos duas coisas em comum! A envergonhada troca de olhares e o gosto pelo desafio enigmático. No final da palestra, aquele “gostaria de te conhecer melhor”, dito praticamente em uníssono, fora suficientemente esclarecedor.
Quando julgamos que chegara a hora de concretizar o conhecimento mútuo, eis que vem cair no nosso colo mais um enigma para resolver.
Não resistimos, pois, depois de mais uma troca de olhares, ficou tacitamente decidido que este seria o nosso primeiro mistério a resolver em conjunto. E, pelos vistos, conseguimos chegar a bom porto.
Quem ficou satisfeitíssima foi a dona Palmeirinha. Por dois motivos: por um lado, porque fora desvendado o enigma e, por outro, porque tudo indicava que conseguira um comprador. O senhor com quem faláramos junto da moradia, conseguira encontrar a dona Palmeirinha, bebendo uma segunda limonada, no bar da Quinta Caverneira, e chegado a um acordo.
Como se costuma dizer, não há mal que não venha por bem. Tudo se resolveu e lá estávamos nós, mais uma vez, sentados e preparados para o conhecimento mútuo que já começava a tardar. Felizmente era Verão e os dias eram muito compridos.
No preciso momento em que nos preparávamos para atirar para trás das costas as nossas actividades detectivescas daquele dia, eis que se dirige a nós o empregado do bar.
“Vocês estão a ficar muito famosos. Não se fala noutra coisa! Não há dúvida que formam uma excelente dupla de detectives e que, com certeza, já resolvem enigmas em conjunto há muito tempo.”
Olhei para o Hugo e respondi ao seu sorriso. Acabáramos de nos conhecer (ou melhor, quase que ainda não nos conhecíamos) e, para algumas pessoas, já éramos uma dupla. Engraçado! Muito engraçado.
Não dissemos nada e continuamos a escutar o empregado: “Gostava de saber se seriam capazes de resolver uma situação, um tanto ou quanto embaraçosa, que ocorreu ontem em minha casa e que envolve os meus filhos.”
Pronto! Parecia que os enigmas daquele dia não iriam cessar. “Claro que sim! Se nos puder descrever o que sucedeu, talvez possamos ajudar”, adiantou-se o Hugo.
“Aqui vai! Depois de mais um dia de trabalho, preparava-me para abrir a porta de casa, quando deparei com o vaso preferido da minha esposa estilhaçado no chão do alpendre. A planta que antes ocupara o vaso estava no chão, misturada com a terra espalhada e com os cacos do vaso. Muito próximo dos cacos, podia-se observar uma pegada de um pé pequenino descalço. Do mesmo pé que, provavelmente, largara os pedacinhos de terra espalhados pelo chão do alpendre.
Entrei em casa e disse em voz alta, audível em toda a casa: ‘Meninos, venham imediatamente aqui à sala!’ Sentei-me no sofá e esperei que os três estivessem em pé à minha frente: o Carlos, o Rui e o Filipe. ‘Ora bem! Com certeza já sabem por que vos chamei. Quem foi que partiu o vaso preferido da vossa mãe?’
Olharam os três uns para os outros, até que o mais velho, o Filipe, disse: ‘Estava no meu quarto quando ouvi qualquer coisa a partir. Quando desci para ver o que era, encontrei o Carlos e o Rui na entrada, à volta do vaso partido. Voltei ao quarto e continuei o meu estudo.’ Voltei-me para o mais novo, o Carlos, que exclamou: ‘Não fui eu que parti o vaso! Eu estava a brincar no jardim e não vi nada.’ Aguardava ouvir o que o Rui tinha para me dizer, quando ele começou a falar: ‘Eu estava na garagem a ler um livro de banda desenhada. Tinha acabado de voltar a folha, ia passar para a página 17, quando escutei um barulho na frente da casa. Antes de ir ver o que se passava, coloquei um marcador para retomar mais tarde a minha leitura.’ O que acham? Com estes elementos conseguem descortinar quem foi o responsável?”
“De facto, não me parece que haja qualquer dúvida sobre quem partiu o vaso. Concordas comigo, Hugo?”, perguntei-lhe eu. A resposta dele, tal como eu previa, só podia ser uma: “Claro que sim! Só espero que, daqui para a frente, nos apareçam enigmas mais difíceis, para a nossa dupla poder brilhar como as estrelas no céu… nocturno!
DESAFIO AO LEITOR:
O leitor, tal como o Hugo e a Bruna, também tem uma opinião sobre quem partiu o vaso.
A – O Carlos.
B – O Rui.
C – O Filipe.
D – Os três.
Escolha a resposta certa, redija uma curta justificação (não mais de 1000 caracteres) para a opção que tomou e envie, até dia 30 de Novembro, para clubededetectives@gmail.com.
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Cá está o quarto dos cinco episódios que constitui o Torneio "Clube de Detectives".
Todos aqueles que esperavam tomar hoje conhecimento dos resultados do terceiro episódio, vão ter de aguardar mais um mês, já que os sobressaltos que têm dificultado a normal distribuição da versão impressa dos episódios do torneio, aconselharam-nos a prorrogar o prazo de resposta do episódio anterior até ao final do mês de Outubro.
No próximo dia 13 de Novembro, divulgaremos os resultados do terceiro episódio e ficaremos a saber o estado da classificação, no preciso momento em que apresentaremos o último episódio do torneio.
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Entretanto, informamos os concorrentes de uma decisão tomada pelos confrades envolvidos na organização do torneio e que implica uma ligeira modificação nos pontos 3., 4. e 5. do Regulamento. Excepcionalmente, o quinto episódio do Torneio "Clube de Detectives" será do género mais tradicional, ou seja, não serão sugeridas as habituais quatro opções, para escolha da certa e respectiva justificação; em sua substituição, o enigma apresentará algumas questões que devem ser respondidos num texto que não poderá ultrapassar os 5.000 caracteres, nem ocupar mais de duas páginas A4. Em caso de empate, em qualquer dos troféus em disputa, a qualidade desta solução permitirá proceder ao respectivo desempate.
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Adicionalmente, solicitamos aos concorrentes (ainda em falta!) candidatos aos troféus "SETE DE ESPADAS", "DIC ROLAND" e "CLUBE DE DETECTIVES", que nos enviem os elementos solicitados no ponto 9. do Regulamento. Caso contrário, serão apenas considerados na classificação geral, onde está em disputa o troféu "PÚBLICO-Policiário".
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quarta-feira

'06 Setembro 13

TORNEIO "CLUBE DE DETECTIVES"

EPISÓDIO 3
O Enigma da Placa Desaparecida
(Daniel Falcão)
Parecia mentira, mas era mesmo verdade! Nunca imaginaria, há poucas horas, que estaria, neste dia quente de início de Verão, sentado ao lado de uma linda rapariga, no bar da Quinta da Caverneira. Depois do sucesso que as nossas intervenções tiveram na palestra que findara há poucos minutos, em boa hora decidimos aproximar-nos um do outro e, exactamente ao mesmo tempo, dizermos: “Gostaria de te conhecer melhor!”
Escusado será entrar em mais pormenores, até porque são coisas muito nossas. O mais importante é que ainda não tínhamos tido tempo para trocarmos algumas opiniões, quando reparamos na entrada de uma senhora com um aspecto bastante aborrecido. Dirigiu-se para o balcão e exclamou: “Porque haveria alguém de roubar placas de venda de imóveis? Que uso poderá alguém dar aquelas placas de madeira?”
O empregado surpreendido por aquelas duas interrogações lançadas de rompante, manifestou-se: “Boa tarde, dona Palmeirinha. Então, o que é que se passou?” Enquanto falava, preparou um copo de limonada bem fresco e colocou-o em cima do balcão em frente da senhora.
A senhora explicou então que, pela terceira semana consecutiva, tinha colocado uma placa da sua agência de venda de imóveis em frente de uma moradia que estava para venda na Rua do Castelo Velho. A última das quais fora colocada hoje mesmo no final da manhã. Qual não foi a sua surpresa, ao passar pela rua há poucos minutos, quando verificou que a placa já tinha desaparecido. “Provavelmente, brincadeiras de garotos que não têm mais nada para fazer. Imagino que as usem para fazerem cabanas ou qualquer coisa parecida” – concluiu.
Olhei para a Bruna e… lá estava ela a olhar na minha direcção. Parece que, quase por magia, ambos pensamos o mesmo: decifrar este novo enigma. Desta vez, bem real!
Como a Rua do Castelo Velho ficava relativamente próxima, demoramos a lá chegar cerca de dez minutos. Aquela rua tinha apenas duas moradias e um prédio de três andares. Em frente a uma das moradias, com aspecto de estar habitada, estava uma senhora a regar uns vasos. Não foi difícil perceber que a moradia que estava à venda era a outra, já que tinha as portadas todas fechadas e o jardim já parecia pedir a alguém que lhe dedicasse algum tempo.
Quando lá chegamos, reparamos numa carrinha de caixa aberta encostada a uma das bermas. Ao seu lado, um homem olhando em todas as direcções. Devia ter reparado na nossa chegada, pois caminhou na nossa direcção.
“Olá, boa tarde. Talvez me possam dar uma informação. Sou de fora da cidade e procuro uma casa para comprar. O meu sobrinho emprestou-me a carrinha dele para vir até cá, onde, pelo que ele me disse, havia uma moradia à venda. Mas como não vejo nenhuma placa, estou na dúvida se entendi bem a localização que ele me indicou. Acho que nesta zona as casas se vendem muito rapidamente e eu não queria perder esta oportunidade.”
Explicamos tudo o que sabíamos sobre o assunto e indicamos ao senhor para se deslocar ao bar da Quinta da Caverneira onde talvez ainda encontrasse a senhora da agência. Agradecendo a nossa atenção, enfiou-se na carrinha e afastou-se.
“O sobrinho pode muito bem ter retirado os sinais para que ninguém soubesse que a casa estava à venda” – disse a Bruna. “Tens razão! Além de que na caixa aberta da carrinha podem-se meter muitas coisas” – concluí. Decidimos, então, dar o passo seguinte: falar com a senhora idosa.
A senhora já tinha regressado a sua casa. Como a porta não estava fechada, mas apenas encostada, batemos levemente. A senhora abriu a porta e lá se dispôs a conversar connosco.
Enquanto dizia à Bruna que, embora não o tivesse presenciado, sabia quem levara as placas (“Foi o Alfredo! Ele está sempre a pregar patifarias destas.”), aproveitei para espreitar o interior da sala de estar. Pareceu-me uma sala bastante confortável e pude verificar que o sofá e as cadeiras, estofados de veludo, eram verdadeiras antiguidades. Uma toalha rendilhada cobria a mesa e um largo quadro estava depositado na parede sobre o fogão de sala, onde algumas brasas ainda crepitavam com alguma intensidade.
A senhora indicou-nos onde vivia o tal Alfredo e lá fomos nós, certos de estarmos cada vez mais próximos do final da nossa investigação.
Encontramos o Alfredo a guardar a máquina de aparar relva na sua garagem. Ele olhou para nós com ar desconfiado e quando lhe explicámos o que pretendíamos, respondeu rispidamente: “Porque haveria eu de roubar um estúpido sinal? De qualquer modo, estive fora desde manhã bem cedo e só voltei à coisa de uma hora, hora e meia.”
Afastamo-nos, antes que ele nos expulsasse. Foi então que a Bruna disse: “Viste bem a garagem? É impressionante como os meus pais têm às vezes tanta dificuldade em meter lá o carro, quando esta garagem está praticamente vazia.”
Depois de trocarmos algumas impressões, decidimos regressar ao bar e, caso a senhora ainda lá estivesse, dizer-lhe que já sabíamos quem tinha tirado as placas.
DESAFIO AO LEITOR:
O leitor, tal como o Hugo e a Bruna, também tem uma opinião sobre quem levou as placas.
A – Os garotos para as suas brincadeiras.
B – O sobrinho do potencial comprador.
C – A senhora idosa.
D – O Alfredo.
Escolha a resposta certa, redija uma curta justificação (não mais de 1000 caracteres) para a opção que tomou e envie, até dia 30 de Outubro, para clubededetectives@gmail.com.
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EPISÓDIO 1.
SOLUÇÃO:
“Julgo que foi o Duarte que levou o guarda-chuva da professora de inglês.”
Reparei no balancear assertivo do palestrante e senti-me, interiormente, satisfeito, por Bruna, era este o seu nome, ter respondido acertadamente. “Muito bem! E qual foi a razão que a levou a apontar o Duarte?”
Foi então que Bruna mostrou ter estado muito atenta à situação que fora exposta: “Por uma razão muita simples. O director de turma apenas referiu aos três rapazes que desaparecera um guarda-chuva, sem precisar que fora na aula de inglês. Ora, o Duarte é o único que identifica o término da aula de inglês como o momento em que desaparecera o guarda-chuva.”
Quando me apercebi, estava de pé, ovacionando a participação da Bruna e sendo acompanhado por todos os presentes no auditório.
“Excelente! Eis uma resposta concisa e objectiva” – começou por dizer o palestrante. E continuou: “Este, como muitos outros enigmas policiários, procura desviar a atenção do solucionista para pormenores secundários. Embora o Vítor tenha levado para a escola o guarda-chuva da mãe, ou seja, um guarda-chuva feminino, tal não é suficiente para o ‘incriminar’. Ele apenas teria mencionado este facto, para o caso de alguém ter referido que ele tivera na sua posse um guarda-chuva que, indubitavelmente, não devia ser o seu.”
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RESULTADOS:
Com 10 pontos: Agente Guima, Avlis e Snitram, Carlos Estegano, Detective Lupa de Pedra, Figaleira, Jotabê, Karl Marques, M. Lima, Medvet, Mister H, Paulo, Professor Pardal, Rumpelstinskin, Saquim, Sherlock C, Zé D’ Olhão.
Com 5 pontos: Bernie Leceiro, Dr. Gismondo, Duca Holmes, Hnrqx, Inspector PI, KO, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
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EPISÓDIO 2.
SOLUÇÃO:
“Parece-me que ambas as descrições são verosímeis.”
Tal como antes acontecera comigo, também desta vez o palestrante mostrou estar satisfeito com a resposta fornecida pelo Hugo, era este o seu nome, e disse: “Parece que temos por aqui excelentes detectives. Diga-me lá, então, porque considera que ambas as descrições são verosímeis.”
O Hugo disse então: “Quando ambos os casais iniciaram as suas férias, pelo que indicam, a Lua estava a atravessar a fase de Lua Cheia. No regresso, uma semana depois, a Lua estaria a atravessar a fase de Quarto Minguante. Ora, como é do conhecimento geral, diz-se que a Lua é mentirosa porque na fase de Quarto Minguante parece-se com a letra C. Mas esta situação apenas acontece no Hemisfério Norte, onde se localiza Portugal. Já que no Hemisfério Sul, onde fica o Brasil, a Lua não é mentirosa, pois na fase de Quarto Minguante (Decrescente) tem uma forma que sugere a letra D.”
“Estou satisfeitíssimo!” – exclamou o palestrante, mesmo antes de, tal como me acontecera a mim, a plateia exprimir o seu regozijo através de uma magnífica salva de palmas.“Muito bem! O essencial para resolver este enigma está presente no breve discurso do Hugo. Não está em causa saber se os amigos estão ou não a mentir, mas apenas se as suas declarações são verosímeis. Muito mais poderia ser adiantado sobre este enigma, mas nada modificaria o desenlace que foi apontado.”
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RESULTADOS:
Com 10 pontos: Agente Guima, Avlis e Snitram, Carlos Estegano, Detective Lupa de Pedra, Duca Holmes, Figaleira, Hnrqx, Inspector PI, Karl Marques, KO, Medvet, Mister H, Professor Pardal, Rumpelstinskin, Zé D’ Olhão, Zé dos Anzóis, Zé-Viseu.
Com 5 pontos: Bernie Leceiro, Dr. Gismondo, Jotabê, Paulo, Sherlock C.
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quinta-feira

'06 Julho 13

Os meses de Julho e Agosto são, para muitas pessoas, meses de férias, de descanso e, muitas vezes, tempo para pensar noutras coisas. E, porque não, tempo de se dedicarem ao policiário, participando no Torneio "Clube de Detectives",
Foi esta a principal razão para termos alargado o prazo de envio da decifração das duas primeiras provas do Torneio "Clube de Detectives" até ao dia 31 de Agosto.
Se já enviaram a vossa decifração, divulguem este passatempo pelos vossos amigos e cativem-nos para que também participem.
Se ainda não enviarem a vossa decifração, divulguem também este passatempo pelos vossos amigos, cativem-nos e deixem-se cativar e participem todos.
As duas primeiras provas, e respectivo regulamento, podem ser consultadas neste mesmo blogue ou, se quiserem, podem imprimir a Folha Especial Torneio "Clube de Detectives" onde aparece a transcrição integral destas mesmas provas. Imprimam esta folha quantas vezes quiserem e espalhem-na por onde vos apetecer, colaborando desta forma na divulgação do policiário.
Já sabem que as vossas decifrações e quaisquer questões que entendam colocar devem ser enviadas para clubededetectives@gmail.com.

Se quer saber mais coisas sobre o Policiário, tem ao seu dispor com actualização semanal, todas as segundas-feiras, o sítio http://danielfalcao.net, e a publicação também semanal, todos os domingos, no jornal PÚBLICO, da secção "Policiário".

Participem e boas decifrações!

terça-feira

'06 Junho 13

TORNEIO "CLUBE DE DETECTIVES"
EPISÓDIO 2

O Enigma das Formas da Lua
(Daniel Falcão)

Os enigmas e os mistérios sempre me fascinaram. O primeiro romance policial que li despertou-me de tal forma o interesse, que passei a dedicar muito do meu tempo à leitura deste género de literatura, por vezes considerada marginal. Durante estes momentos de leitura, sentia que uma pequena detective crescia dentro de mim.
Qual não foi a minha surpresa, quando uma amiga me deu conhecimento que iria realizar-se uma palestra, no sábado seguinte, dedicada ao tema “O detective que há em cada um de nós”.
“Sandra, não posso perder essa palestra. E tu vais comigo!...”
Foi, pois, na companhia da Sandra que cheguei à Quinta da Caverneira, na freguesia de Águas Santas, no concelho da Maia. Nunca poderia ter adivinhado que nada voltaria a ser como antes, depois daquela tarde de sábado.
Estava eu aguardando o início da palestra, faltavam poucos minutos, quando o vi aproximar-se. A forma como se deslocava, a maneira como se dirigia aos amigos que o acompanhavam, atraiu imediatamente a minha atenção. Quando dei por mim, estava olhando-o fixamente. De repente, vejo que os seus olhos captaram a direcção dos meus. Poucos segundos passaram até que, com alguma timidez, os desviei, embora tenha ficado com a sensação que ele tivera uma reacção muito semelhante.
Retirei-me da porta de entrada, puxando a Sandra pelo braço, que mostrava a sua surpresa olhando para mim como se eu tivesse sido picada por alguma vespa. “O que aconteceu?”, perguntou-me a minha amiga. “Viste-o? Reparaste nele?”, contra-interroguei. “Em quem? Mas afinal, que bicho te mordeu?”
Enquanto nos dirigíamos para o interior do auditório e escolhíamos os lugares onde nos iríamos sentar, falei-lhe naquele rapaz e contei-lhe o que sentira quando o vi chegar. A partir daquele momento, a Sandra apenas pretendia que eu lhe indicasse quem era o rapaz. Ficamos, então, distraidamente atentas às pessoas que iam entrando no auditório, até que ele reapareceu: “É aquele que está a entrar neste momento!”. A Sandra estudou-o, como só ela sabe fazer, e exclamou, imediatamente antes de o palestrante começar a falar: “É giro!”
«(…) Como sabem, as praias do mar das Caraíbas são, desde há muito tempo, um dos destinos de férias escolhidos por pessoas oriundas de vários pontos do globo. Por isso mesmo, não é de estranhar que dois casais, que nunca se tinham visto antes, mas que falam a mesma língua, se tenham encontrado numa dessas praias paradisíacas.
É neste ambiente que vamos encontrar, numa amena conversa, o casal Duarte e o casal Capelo, enquanto assistem às brincadeiras dos filhos no curto areal. O tema da conversa é, como não podia deixar de ser, as férias. Ou, mais precisamente, umas férias em especial em que os destinos dos casais foram o país de origem do casal amigo. Esqueci-me de vos dizer que o casal Duarte tem nacionalidade portuguesa e o casal Capelo tem nacionalidade brasileira.
Dizia o Paulo Duarte que, nessa ocasião, pouco tempo depois de o seu avião levantar voo, tivera a oportunidade de usufruir de uma visão única da Lua. Vista através da janela do avião, a Lua Cheia, perfeitamente redonda, ocupava um imenso espaço no céu nocturno. Ficara de tal modo impressionado que, no regresso, uma semana depois, logo após o avião levantar voo, voltara a procurar a Lua e reparara que, desta vez, ela assumia uma forma parecida com a letra D.
“Curioso!”, exclamara de imediato o Bruno Capelo. Pois com ele passara-se uma coisa muito semelhante. Quando viajara para Portugal, também usufruíra da mesma visão que o amigo tivera da Lua. Pouco depois do avião levantar voo, a Lua perfeitamente redonda parecia iluminar a noite. No regresso, também uma semana depois, a visão da Lua já era pouco interessante: assumia agora uma forma parecida com a letra C.
Imaginem-se refastelados na praia mas atentos a estas duas descrições. O que podem adiantar sobre a verosimilitude das descrições feitas pelos pares masculinos dos casais?»
Tal como antes, o auditório ficou momentaneamente em silêncio, até que uma voz soou: “Eu acho que posso adiantar qualquer coisa! E, já agora, chamo-me Hugo.”
“Rapaz destemido! Faça lá justiça…”

DESAFIO AO LEITOR:
O leitor, sempre atento aos enigmas que vamos propondo, não vai deixar de nos dar a sua opinião sobre a verosimilitude das descrições feitas pelo Paulo Duarte e pelo Bruno Capelo.
A – Apenas a do Paulo Duarte não é verosímil.
B – Apenas a do Bruno Capelo não é verosímil.
C – Nenhuma delas é verosímil.
D – Ambas são verosímeis.

Escolha a resposta certa e redija uma curta justificação (não mais de 1000 caracteres) para a opção que tomou e envie, até 31 de Julho, para
clubededetectives@gmail.com.
publicado em "O LIDADOR... das CINZENTAS", nº 26, Junho de 2006
Volvido um mês após o início do Torneio “Clube de Detectives”, com a publicação do Regulamento e da primeira prova, cá estamos, de novo, para vos apresentar o segundo episódio da saga que produzimos e que esperamos seja do vosso inteiro agrado. “O Enigma das Formas da Lua”, é mais um enigma bastante simples, mas que requer toda a vossa atenção.

sábado

'06 Maio 13

TORNEIO "CLUBE DE DETECTIVES"
EPISÓDIO 1
O Enigma do Guarda-Chuva Desaparecido
(Daniel Falcão)
Quando acordei, naquela manhã de sábado, tive imediatamente a sensação que algo especial me iria acontecer. Não me peçam que explique racionalmente o que realmente senti, porque não sou capaz. Essa mesma sensação perseguiu-me durante toda a manhã, sem que eu conseguisse divisar até onde ela me levaria. No entanto, a manhã decorreu com normalidade e nada de relevante aconteceu.
O momento especial estava reservado para a parte da tarde. Tal como fora previamente combinado com o meu grupo de amigos, pouco passava das duas e meia quando nos dirigimos à Quinta da Caverneira, onde iria realizar-se uma palestra intitulada “O detective que há em cada um de nós”. Assim que tomara conhecimento da palestra e porque achei o título muito cativante, tratei logo de arregimentar um grupo de amigos para me acompanharem. Se bem que nem todos tenham cedido imediatamente, a minha vontade acabou por ultrapassar todos os obstáculos.
Foi no preciso momento em que transpus a porta de entrada que a vi. Os seus olhos verdes ficaram, por escassos segundos, fixos nos meus. Julgo que os nossos olhos se afastaram exactamente ao mesmo tempo, embora a sua imagem tenha perdurado na minha memória por mais tempo. Quem seria aquela bonita rapariga? Como viera ali parar?
Quando voltei a olhar para o sítio onde a vira antes, ela já havia desaparecido. Teria sido uma miragem? Seria a minha fértil imaginação a pregar-me uma partida? A mim, que sempre sonhara com um momento daqueles?
Não, não era uma miragem. A rapariga era bem real, pois lá estava ela sentada numa das cadeiras da parte central do auditório. Sentei-me na última fila, onde podia estar atento à palestra e, simultaneamente, observá-la.
Embora, de vez em quando, os meus olhos se dirigissem para um local específico na parte central do auditório, centrei a minha atenção no senhor que estava a falar. Dizia ele:
«(…) Imaginem a situação seguinte: A professora de inglês participou ao director de turma o desaparecimento do seu guarda-chuva, que ela havia colocado, após entrar na sala de aula, encostado à parede junto à porta de entrada. Ela sabia que três dos seus alunos tinham por hábito pregar algumas partidas aos colegas e desconfiava que naquele dia, muito possivelmente, a tinham escolhido como alvo das suas brincadeiras.
O director da turma ficou incumbido de averiguar, junto dos três alunos suspeitos, se algum deles fora o autor daquela brincadeira inocente. Chamou-os ao seu gabinete e, estando os três sentados à sua frente, atirou a seguinte pergunta: “Quem foi o malandro que, ontem de manhã, levou para casa, sem querer, um guarda-chuva que não lhe pertence?”
Os rapazes entreolharam-se, sorridentes, assim que o director de turma se calou. Nenhum deles parecia querer ser o primeiro a responder. Até que o Vítor se decidiu: “Professor, eu ontem levei para casa o mesmo guarda-chuva que de lá trouxera. Se alguém disser que me viu pegar num guarda-chuva, tem toda a razão. Só que, tratava-se do guarda-chuva da minha mãe.”
Depois do colega, os outros dois lá se decidiram também a responder à pergunta. O segundo foi o Duarte: “Assim que terminou a aula de inglês, dirigi-me ao sítio onde tinha colocado o meu guarda-chuva, peguei nele e saí. Não toquei em mais nenhum guarda-chuva.” Seguiu-se o Guilherme: “Eu não toquei em nenhum guarda-chuva. Por acaso, ontem nem sequer trouxe guarda-chuva para a escola e muito menos levei qualquer guarda-chuva para casa.”
Como devem imaginar, depois de os escutar, chegara a vez do director da turma sorrir…
Algum de vós quer dar a sua opinião sobre esta situação que acabei de vos expor?»
O inevitável silêncio em momentos como este, fez-se naturalmente sentir. Uma certa vergonha tolhe sempre as pessoas. Até que, calma e discretamente, um braço se ergueu. “Levante-se, se faz favor, e diga-me o seu nome.” Ela levantou-se e sou capaz de jurar que, por escassos centésimos de segundo, os seus olhos estiveram voltados na minha direcção: “Chamo-me Bruna!”
“Muito bem Bruna, não se intimide com o auditório e apresente a sua opinião.”

DESAFIO AO LEITOR:
O leitor, tal como a Bruna, também tem uma opinião sobre quem pode ter levado para casa, inadvertidamente!, o guarda-chuva da professora.
A – O Vítor.
B – O Duarte.
C – O Guilherme.
D – Nenhum dos três.

Escolha a resposta certa, redija uma curta justificação (não mais de 1000 caracteres) para a opção que tomou e envie, até 30 de Junho, para
clubededetectives@gmail.com.

publicado em "O LIDADOR... das CINZENTAS" nº 25, Maio de 2006
Quantos, de entre os leitores, já tiveram a vontade de se encontrar no lugar de um Sherlock Holmes, um Hercule Poirot ou uma Miss Marple, entre muitos outros detectives, e desvendar mistérios, quase indecifráveis? Quantos são aqueles que seguem, quase religiosamente, as séries policiais que passam na televisão, procurando antecipar o final, descobrindo o criminoso? Muitos, com certeza!
É precisamente essa a oportunidade que, agora, vos oferecemos. Neste Torneio “Clube de Detectives”, vão poder colocar à prova, a vossa atenção, a vossa perspicácia, a vossa capacidade de síntese, na redacção da solução dos “crimes” que vos vamos propor.
O que precisam fazer para participar? É tudo muito simples: começam por ler atentamente os enigmas que elaboramos, descobrem a respectiva solução e redigem as ideias centrais que vos levaram ao desfecho do caso. Depois, escolhem um pseudónimo, ou nome curto, pelo qual passarão a ser conhecidos neste torneio, e enviam a vossa proposta de solução para o endereço electrónico
clubededetectives@gmail.com.
Pseudónimo? O que é isso? É uma espécie de nome individual que irá identificar-vos entre os muitos (esperamos!) concorrentes a este torneio. Para que não escolham pseudónimos já utilizados ou para vos dar uma ideia do género de pseudónimos que podem utilizar, sugerimos que visitem a página de resultados do Campeonato Nacional de Problemística Policiária (promovido pela secção PÚBLICO-Policiário, com publicação dominical no jornal PÚBLICO), disponível em
http://www.danielfalcao.net/resultados.xls.
Não hesitem em concorrer! Esta poderá ser a vossa primeira experiência, mas, com certeza, não será a última.